terça-feira, novembro 14, 2006

"... e eu estava só com a areia e com a espuma daquele mar que cantava só para mim"
















Perguntam talvez alguns de vocês.... qual é o prazer de sair da água fria em pleno lusco-fusco, quando a temperatura desceu e já se tornou demasiado fria para o comum dos mortais? Qual é o prazer de despir um fato de neopreno encharcado? Qual é o prazer dos cabelos desalinhados a pingar de sal, da areia colada ao corpo, do exibicionismo da troca de roupa em público?
Ninguém entende.
Nem mesmo eu, apesar de acompanhar mais de perto, durante uns três anos, o bodyboard, o surf e as demais modalidades. Sempre tive paixão pela praia, pelos pôr-do-sol, pelo areal vazio numa tarde solarenga de inverno, pela chuva forte a cair no mar vista do conforto do carro. Hummmm! Costumo dizer na brincadeira que me licenciei na praia. Mas talvez não ande longe da verdade. Serei dos poucos priveligiados que pôde estudar horas a fio sob a paisagem mais linda do mundo - a mais inspiradora e arrebatadora. Talvez só a Sophia consiga exprimir esta minha paixão. Talvez por isso eu sorva cada verso dela, como se lesse os meus próprios pensamentos inexpressáveis.
Afinal havia algo mais.
E finalmente percebi o título da velhinha musica dos BeachBoys "Only a surfer knows the feeling". Esqueçam a água fria, esqueçam o esforço por vezes sobre-humano de passar a rebentação, ou melher dizendo, o inside. Esqueçam o nó na garganta que surge ao ver a onda que nos parece gigante, pronta a fazer de nós uma... alga...! Esqueçam os 'pirulitos', as faltas de ar, as quedas desamparadas na areia. Tudo, mas TUDO pela sensação de descer velozmente uma onda perfeita e de voar, voooar apartir dela... . Tudo, por mais uma pequena vitória naquela onda surfada meio a medo e que acabou por ser a melhor de sempre, até ali. Tudo, pelo prazer de ouvir os uivos de alegria de quem gosta de nós e partilhou dessa mesma vitória. Tudo, mas tudo... por um pôr-do-sol visto 'de primeiro balcão' com cardumes de peixes a saltitar 2 metros à frente. E, por fim, sair da água com os músculos dormentes, mas de alma cheia e adrelanina nas veias.... e olhar uma última vez o sublime horizonte que se despede.

Isto é como uma droga imagino eu.
Mas tenho pelo menos a certeza: não é um desporto, é um vício do corpo.

E só agora comecei... !

PS. E já agora parabéns ao Centeno e à restante selecção nacional. Afinal não somos bons apenas no futebol. Somos ainda melhores num sem número de modalidades, infelizmente, ainda marginalizadas. Apoiem outros desportos! Apostem nos bons atletas que se estão a perder por falta de patrocínios.